A cidade maravilhosa também pode ser inovadora?: desafios e obstáculos para o Rio de Janeiro se converter em um ecossistema de inovação

Guilherme de Oliveira Santos, Renata Lèbre La Rovere, Antonio Pedro da Costa e Silva Lima, Pedro Paulo Cardoso Barcellos Ferreira

Resumo


Diante da relevância das cidades no novo paradigma tecnoeconômico, da centralidade do ambiente urbano na geração e difusão de conhecimento e inovações e da necessidade das cidades se organizarem como um ambiente de inovação, a fim de solucionarem complexos desafios urbanos da atualidade, este artigo se propõe a analisar os desafios e obstáculos para a Cidade do Rio de Janeiro se converter em um ecossistema de inovação. Para tanto, em primeiro lugar fizemos uma revisão bibliográfica por meio de artigos científicos, livros, teses e dissertações para construir o Referencial Teórico acerca da relação entre cidades e inovação. Com base nesta revisão determinamos três níveis e dimensões de análise: Empreendedorismo (nível micro); Ambientes de Inovação (nível meso) e Ecossistema Urbano de Inovação (nível macro). Em seguida selecionamos as fontes e os dados necessários para abranger o foco proposto em cada uma das dimensões. Traçamos um panorama de cada dimensão com base nos dados levantados, e, em seguida, complementamos a análise através da utilização de outros estudos e trabalhos relacionados a tais dimensões. Em linhas gerais, os achados apontam que o Rio de Janeiro tem potencial para se converter em um ecossistema de inovação, mas precisa enfrentar desafios e obstáculos relacionados ao excesso de burocracia, às grandes desigualdades sócio-espaciais, à infraestrutura deficiente, à desarticulação entre atores e instituições ligados à inovação, ao desalinhamento entre as políticas públicas e à falta de transparência.


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DOI: http://dx.doi.org/10.22398/2525-2828.3976-94

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